• Tony Veríssimo

Brasil gasta mais com policiais aposentados do que com policiais na ativa



Que os salários dos nossos policiais e professores são baixos, não resta dúvida. Na câmara municipal de São Paulo, por exemplo, um engraxate recebe salário bruto de R$ 10,4 mil, contra R$ 3,9 mil de um policial que trabalha na mesma Câmara, ou R$ 2,9 mil de um policial em início de carreira no Estado de São Paulo.

Nosso maior problema, entretanto, segue sendo uma questão estrutural do próprio governo: até pouco tempo atrás, em muitos estados, policiais sequer pagavam contribuição previdenciária, como é o caso do Rio Grande do Sul. O resultado é que hoje, nestes mesmos estados, é preciso dividir os recursos existentes para a área entre aqueles que estão na ativa e os aposentados.

No mesmo Rio Grande do Sul, conhecido por seu problema previdenciário, os 19.257 PMs em atividade custam ao estado R$ 127,1 milhões por mês. Com os 24.123 aposentados, o custo é de R$ 209,2 milhões, mais R$ 70,2 milhões com 9.908 pensionistas.

Definir prioridades em um estado em crise é, teoricamente, uma tarefa árdua para parlamentares. Com um déficit que pode chegar a R$ 25 bilhões apenas nos quatro anos do atual governo do Rio Grande do Sul, os deputados estaduais foram chamados a ajudar a cortar gastos e garantir que os salários do funcionalismo sejam pagos, ainda que parcelados. Nada disso impediu a chamada farra do combustível, promovida pelos mesmos. Em 2014, cada um dos 129 veículos dos parlamentares gaúchos gastou em média R$ 35 mil em combustível, contra R$ 3,5 mil de cada viatura policial.

No Espírito Santo – que enfrenta uma greve branca da Polícia Militar nos últimos dias, ocasionada por parentes que bloqueiam a entrada dos quartéis -, o gasto com inativos é equivalente a 40% do total.

Iniciativas como a criação de um fundo previdenciário que acumule recursos tentam reverter a situação. O resultado, porém, só começará a ser sentido em algumas décadas e pode não ser suficiente, uma vez que na Brigada Militar (a Polícia Militar do RS), por exemplo, a média de idade ao aposentar-se é de 48 anos.

#Polícia #aposentados #Brasil

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