• Tony Veríssimo

Crise dos combustíveis: Entenda por que está na hora de investir em ferrovias!



Uma rede ferroviária ampla e interligada beneficiaria todo o processo produtivo e o escoamento das exportações brasileiras. Seria um avanço no Brasil tal significativo que o país iria de vez tomar decisões desenvolvimentistas, assim como já fizeram os EUA e a Europa há mais de um século para melhorar a escoação de produtos e ajudar a mantê-los com preço baixo.

Para se ter ideia no avanço que seria, tomamos como exemplo o poder de carregamento do trem e do caminhão: enquanto apenas um vagão graneleiro comporta, em média, 100 toneladas de grãos, um caminhão bi-trem transporta apenas 36 toneladas.

Com a substituição gradual do transporte agrícola pelo sistema ferroviário, a economia estimada seria de 30%, devido a maior capacidade dos trens: se carregaria mais, seria mais rápido, seguro, o valor do frete baixaria e consequentemente o valor da mercadoria.

A substituição também acarretaria em uma economia de R$ 15,8 milhões ao ano em gastos com acidentes de trânsito, já que com menos caminhões circulando, o número de acidentes diminuiria. Além de contar que menos caminhões nas estradas, mais durabilidade terá o asfalto visto a grande perda de peso que as mesmas deixariam de passar diariamente. Além disso, na situação atual, o transporte rodoviário é responsável por 95% das emissões de gás carbônico (CO2), enquanto o ferroviário representa apenas 5%. Mesmo assim, o país tem mais de 300 mil quilômetros de rodovias, e pouco menos de 30 mil quilômetros em ferrovias.

O Brasil seguiu o pensamento desenvolvimentistas em sistemas ferroviários desde meados do II Império, mas parou na década de 1920. Presidentes como Washington Luís, Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek se preocuparam mais em fazer rodovias do que ferrovias e gradativamente ao longo dos anos outros presidentes poucos se preocuparam com a malha ferroviária ou apenas mantiveram em funcionamento as poucas que sobreviveram ao longo do tempo.

Um estudo do professor da EAESP/FGV, Gesner Oliveira, e do diretor do Ipea, Fabiano Pompermeyer, mostrou que as ferrovias representam apenas 15% da estrutura de transportes no Brasil, um percentual considerado baixo. Outro problema, no entanto, é que a grande maioria (22 mil quilômetros de um total de 29 mil) das ferrovias brasileiras foi construída com bitola métrica, um método considerado ultrapassado e menos seguro.

A predominância do transporte rodoviário (que representam 65% do total) atrapalha o trânsito nos grandes centros, é mais poluente, deixa as empresas mais suscetíveis a roubos de carga, custa mais e leva a mais acidentes.

Veja um resumo dos benefícios das ferrovias sobre as rodovias, segundo os especialistas que falaram no Congresso Brasil nos Trilhos:

  • Redução de conflitos urbanos (menos congestionamentos dentro das cidades);

  • Redução de acidentes (menos acidentes);

  • Aumento da capacidade de transporte; (os vagões comportam mais carga que os caminhões);

  • Redução do custo de transporte ferroviário em relação ao atual, devido à maior eficiência operacional propiciada pelos investimentos;

  • Redução da emissão de poluentes devido à migração de cargas da rodovia para a ferrovia.

Já imaginou pagar mais barato na gasolina, no arroz, no feijão e diversas outras mercadorias? Bem, é ano de eleição está na hora de ver as propostas dos candidatos, pois ferrovias deveriam ser uma das propostas do candidato que pensa em um país mais desenvolvimentista.



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