• Tony Veríssimo

5 pontos para entender a necessidade da Reforma da Previdência

Com 95 anos de idade a Previdência do Brasil deve passar pela 15ª reforma de sua história, a principal razão para isso é o desequilíbrio entre receitas e despesas. Ao longo do ano de 2019, o Brasil precisará gastar R$ 9,7 mil por segundo para tentar estancar o rombo previdenciário. O mesmo valor que se gasta por ano para manter 3 estudantes no ensino médio, ou ainda o mesmo valor de 15 diárias em uma UTI do SUS.


Para se ter a ideia do tamanho do prejuízo, diariamente são gastos R$ 840 milhões para se cobrir o rombo previdenciário, em uma semana o valor já é o dobro do que o país gasta com hospitais e equipamentos de saúde.


Para que o brasileiro entenda a necessidade uma reforma previdenciária, ele precisa compreender 5 pontos básicos:


1) Não existe nenhum dinheiro guardado para pagar sua aposentadoria


Um dos principais erros que grande parte dos brasileiros comete é acreditar que as suas contribuições de décadas, são guardadas pelo governo em uma espécie de poupança: "eu contribui todos esses anos; é um direito meu". Ao dizer isso ele acredita que é um direito dele pegar um dinheiro que ele guardou. Mas não é bem assim.


O brasileiro pensa que está em um sistema de capitalização, mas na verdade está em um sistema piramidal.


Chamada de "previdência solidária", o sistema escolhido pelo Brasil em 1966 tem uma definição simples: "pessoas que estão trabalhando contribuem para bancar quem já está aposentado".


A conta mudou radicalmente em 1970, para cada aposentado existia uma média de 4,5 pessoas trabalhando e contribuindo; em 2018, para cada aposentado há apenas 1,23 contribuindo. Acrescenta-se que em 2018, 4 em cada 10 trabalhadores não contribuíam por estarem na informalidade, no entanto, esses embora não tenham contribuído terão direito a um benefício e outros terão que mantê-lo.


Se poupar recursos com investimentos e melhorias, até 2060 o país deve gastar cerca de R$ 10 trilhões com diferença com o que arrecada e com o que gasta. O valor é equivalente a 80% do atual estoque de riquezas que todas as famílias brasileiras têm atualmente.

2) A nossa Previdência atual privilegia os mais ricos


Em média, cada brasileiro se aposenta aos 58 anos, ou seja, os mais jovens do mundo. Já os mais ricos se aposentam com idade mínima de 53 anos; os 47% informais irão se aposentar aos 65 anos ou 60 anos no caso das mulheres.


Os benefícios pagos seguem privilegiando a classe média e os mais ricos. No setor privado é R$ 1.844,00; com carteira assinada é R$998,00 para os informais. No entanto, no governo Executivo esse valor é de R$ 7.138,00; no Judiciário 16.322,00 e no Legislativo R$ 25.119,00.


Sendo assim do rombo na previdência os 20% mais ricos ficam com 40,6%, da fatia enquanto os 20% mais pobres dividem 3,3%.

3) O Brasil gasta mais que países com população mais velha


Com 8% de idosos o Brasil gasta hoje 13,7% do PIB com Previdência. O Japão tem 26% de idosos, mas gasta apenas 12,2%; a Alemanha tem 21% de idosos e gasta apenas 13,6%; o Canadá tem 16% de idosos e gasta apenas 8,7%; o Chile tem 11% de idosos, mas gasta apenas 4,9% e o México tem 6% de idosos e gasta apenas 2,7% do PIB com a previdência.


Hoje, idosos com mais de 65 anos representam 7,9% da população, em 2060 serão 27,7% da população.


4) O Brasil gasta mais com o déficit da Previdência do que com Educação


A projeção da diferença entre arrecadado pelo governo e o valor gasto será negativo, ou seja, um déficit de R$ 309 bilhões. Esse valor equivale a 2,6 vezes o gasto que o Governo Federal tem com o MEC, ou ainda, seria 2,7 vezes maior que os gastos que o Governo Federal tem com o SUS.


Se somarmos o déficit dos estados e municípios a cifra chega ao exorbitantes R$ 410 bilhões, o equivalente a 6% do PIB, sendo maior que todos os gastos em Educação feito por governos e famílias juntos.


No Rio de Janeiro o gasto com aposentado e pensionistas equivale a mais de 3 vezes o gasto com Segurança Pública.


5) Vivemos mais e se aposentamos mais cedo


Criada em 1923, a idade mínima para aposentadoria foi extinta em 1962, na época era preciso ter 55 anos ou mais. Hoje, em média, ao menos 1 em cada 3 brasileiros se aposentam antes dos 55 anos. Cada pessoa deste grupo receberá um R$ 1.711,00 em face aos R$ 1.216,00 dos que se aposentam após os 55 anos.


Apenas nos últimos 10 anos, a média de tempo que alguém passa recebendo aposentadoria saltou de 15,6 para 20,1 anos.


Conclusão


Ou se faz a reforma agora ou em poucos anos não terá mais dinheiro para pagar aposentadorias, seja para quem um dia pretende receber ou até mesmo para quem já recebe.

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