• Tony Veríssimo

'pseudossegurança' e 'ódio a fé', diz bispo de Campina Grande aos atos do governador


Nessa quarta-feira, 31, o bispo diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos, emitiu uma Carta aos Sacerdotes pela qual criticou com veemência os atos governamentais de fechamento das igrejas, destacando que tais práticas se baseiam em uma “pseudossegurança”, causado por “discórdias políticas” e “interesses espúrios” que foram instrumentalizados pelo “ódio a fé” cristã.


Assistimos, sem saber o que fazer, os nossos templos fechados em nome de uma pseudossegurança no combate a um vírus, quando este é instrumentalizado pelo ódio à fé, causados por discórdias políticas e outros tipos de interesses espúrios. Porém, não obstante este triste cenário, sabemos que o nosso cuidado pastoral não se restringe a paredes e portas que foram trancafiadas, que o nosso zelo vibrante vai além de decretos e de coibições, porque sabemos que a luz de Cristo é infinitamente mais forte do que a tristeza, a doença e a morte. Cremos em Cristo, e o nosso ser não se comede em anunciá-Lo, fazendo nossas, para o mundo, as Suas próprias palavras: “Não sabeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai? ” (Lc 2,49); porque, como exprime o Apóstolo Paulo: “Ai de mim se não pregar o Evangelho! ” (1Cor 9,16). Afirmou Dom Dulcênio.

Essa não é a primeira vez, que o bispo diocesano de Campina Grande criticou os atos discricionários do governador do estado da Paraíba, João Azevedo (Cidadania/23). Em 13 de março, Dom Dulcênio manifestou sua perplexidade com o novo decreto do Governo do Estado, que proibiu as missas públicas, ato que sequer foi comunicado e muito menos dialogado com a Igreja e com a sociedade civil.



A crítica do bispo de Campina Grande ao decreto governamental foi apoiada pela maioria da população paraibana e as mesmas também se aplicam aos atos executados por alguns prefeitos do estado. A definição de serviço essencial perdeu a credibilidade de vez, quando a população percebeu que bares - e em alguns lugares até mesmo prostibulos - podem ficar abertos das 6h às 18h, semanalmente, mas as igrejas sequer podem celebrar missas presenciais e com distanciamento social, uma vez por semana, aos domingos, com duração de uma hora.


Na Carta aos Sacerdotes, Dom Dulcênio exorta os presbíteros a continuarem com as ações da Igreja, mesmo com as adversidades existentes devido a pandemia do Covid-19’, sendo necessário cada padre fazer jus ao nome (pai) de sua vocação, buscando consolar na caridade e na fraternidade as ovelhas do rebanho de Cristo.


O nosso dever vai além: não assistimos apenas o espírito humano, ainda que este seja o seu âmbito mais essencial e fundamental: queremos servir a humanidade integralmente, porque compreendemos que isto faz parte da promoção daquela vida abundante que o Senhor ofereceu a todos com a Sua cruz redentora (cf. Jo 10,10). Pontuou o bispo.

A Diocese de Campina Grande abrange uma área de mais de 20 mil km², tem mais de 90 paróquias e é formada por mais de um milhão de católicos, o equivalente a 25% da população do estado da Paraíba.


Para ler a íntegra a carta do bispo diocesano de Campina Grande aos sacerdotes: clique aqui.

159 visualizações0 comentário